É a resposta aos meus desejos. Mas deve preencher a minha necessidade, e não o meu vazio. Nunca o meu vazio. Embora esse, a pouco e pouco está a deixar de existir.
-Lace-it-girl
Eu estava a falar com amigas, quando tocam à campainha. É o bebé com a mãe. Fico tão, mas tão feliz. Ele entra no apartamento a correr e vai para o colo de uma amiga. Eu fico a obervar, com o coração a bater tão rápido que quase me sai do peito. O bebé olha para mim e sorri. Está lindo e cresceu bastante. Reparo que o cabelo cresceu bastante e até tem um ou outro caracol nas pontas. A mãe do bebé puxa-me e dá-me um abraço. Começa a chorar. Afasta-se e passa a sua mão na minha cara, em jeito de mimo. As lágrimas caem-me. Fico com vontade de chorar desalmadamente mas faço um esforço pelo bebé. Não quero que ele me veja chorar. Vou ter com ele e abraço-o. Abraço-o várias vezes. Ele sorri e vai brincar, com os brinquedos espalhados peço chão. Eu e a mãe do bebé sentamo-nos na cama. Ela começa a falar e chorar. Eu só ouço. Mas tudo o que ela me diz consola. Não estava à espera de ouvir tudo aquilo e fico estupidamente aliviada e feliz, com tamanha coragem e sinceridade da parte dela. Estou mesmo surpeendida. Choro agora de alivio. O bebé continua a brincar. Seguro a mão da mãe e agradeço cada história e palavra. Encorajo-a e desejo-lhe sinceramente que a vida lhe possa trazer mais alegrias. O bebé a brincar, levanta a cabeça, olha para nós e dá gargalhadas. As nossas lágrimas começam a secar e dão lugar a sorrisos. Sentamo-nos com o bebé a brincar com ele. Falamos dele e dos seus progressos. Entretanto acordo. Sim, foi apenas um sonho. Quase que consegui matar saudades tuas bebé, de tão real que foi este sonho. Numa semana já sonhei contigo quatro vezes. Mas este foi o mais tranquilizante. Melhor que o sonho de hoje, era ele ser real. Continuas no meu coração e no meu pensamento. Estás nas orações que faço antes de dormir. Continuas em mim. -Lace-it-girl
Como é que se esquece alguém que se ama? Como é que se esquece alguém que nos faz falta e que nos custa mais lembrar que viver? Quando alguém se vai embora de repente como é que se faz para ficar? Quando alguém morre, quando alguém se separa - como é que se faz quando a pessoa de quem se precisa já lá não está?
As pessoas têm de morrer; os amores de acabar. As pessoas têm de partir, os sítios têm de ficar longe uns dos outros, os tempos têm de mudar Sim, mas como se faz? Como se esquece? Devagar. É preciso esquecer devagar. Se uma pessoa tenta esquecer-se de repente, a outra pode ficar-lhe para sempre. Podem pôr-se processos e acções de despejo a quem se tem no coração, fazer os maiores escarcéus, entrar nas maiores peixeiradas, mas não se podem despejar de repente. Elas não saem de lá. Estúpidas! É preciso aguentar. Já ninguém está para isso, mas é preciso aguentar. A primeira parte de qualquer cura é aceitar-se que se está doente. É preciso paciência. O pior é que vivemos tempos imediatos em que já ninguém aguenta nada. Ninguém aguenta a dor. De cabeça ou do coração. Ninguém aguenta estar triste. Ninguém aguenta estar sozinho. Tomam-se conselhos e comprimidos. Procuram-se escapes e alternativas. Mas a tristeza só há-de passar entristecendo-se. Não se pode esquecer alguem antes de terminar de lembrá-lo. Quem procura evitar o luto, prolonga-o no tempo e desonra-o na alma. A saudade é uma dor que pode passar depois de devidamente doída, devidamente honrada. É uma dor que é preciso aceitar, primeiro, aceitar.
É preciso aceitar esta mágoa esta moinha, que nos despedaça o coração e que nos mói mesmo e que nos dá cabo do juízo. É preciso aceitar o amor e a morte, a separação e a tristeza, a falta de lógica, a falta de justiça, a falta de solução. Quantos problemas do mundo seriam menos pesados se tivessem apenas o peso que têm em si , isto é, se os livrássemos da carga que lhes damos, aceitando que não têm solução.
Não adianta fugir com o rabo à seringa. Muitas vezes nem há seringa. Nem injecção. Nem remédio. Nem conhecimento certo da doença de que se padece. Muitas vezes só existe a agulha.
Dizem-nos, para esquecer, para ocupar a cabeça, para trabalhar mais, para distrair a vista, para nos divertirmos mais, mas quanto mais conseguimos fugir, mais temos mais tarde de enfrentar. Fica tudo à nossa espera. Acumula-se-nos tudo na alma, fica tudo desarrumado.
O esquecimento não tem arte. Os momentos de esquecimento, conseguidos com grande custo, com comprimidos e amigos e livros e copos, pagam-se depois em condoídas lembranças a dobrar. Para esquecer é preciso deixar correr o coração, de lembrança em lembrança, na esperança de ele se cansar.
Nascida e criada na Povóa de Varzim. Tenho um orgulho imenso e adoro ser do norte, mas o maior orgulho é mesmo em ser Portuguesa. Neste momento, vivo em Inglaterra e estou a adorar.
Sou uma esposa e mãe muito feliz. Protectora e dedicada. Acho que o melhor da vida, é a família, a que temos e a que construímos. Optimista por natureza, acredito que esta vida tem mais de bom do que de mau, e que se formos bons a vida retribui, mais cedo ou mais tarde. Tenho fé, muita. Acredito que o melhor ainda está para vir. Sou muito abençoada - mais do que mereço. Tenho um coração grato, sempre, muito grato.
Aqui no blogue, tanto registo os eventos mais importantes da minha vida, como dou a minha opinião sobre as coisas mais insignificantes. O meu objectivo é ser sempre honesta no que escrevo, nas minhas convicções e nas minhas dúvidas. Este blogue é para os meus filhos lerem quando crescerem.
Sou completamente apaixonada pelo meu marido, pela minha filha e pelo bebé que está a caminho. Amo a vida. Nasci para ser feliz.