Das coisas boas do facebook - relembrar o que partilhamos há um ou mais anos atrás. Há um ano, por esta altura a nossa menina não parava quieta na barriga, agora não para quieta em lado nenhum.
A ansiedade para conhecer a nossa filha, era mais que muita. Agora não podemos estar mais orgulhosos pelo que ela é. Faz-nos rir tanto. Tanto, tanto.
A alimentação saudável para bebés é simples, mas não foi fácil inicialmente. Não sabia o que dar e o que fazer.
Quando a minha filha fez 6 meses, mamava de duas em duas horas, dia e noite. Comecei a introduzir fruta e legumes crus. Ela adorou mas continuou a mamar a cada duas horas. Eu queria reduzir a frequência com que dava de mamar, por muito que goste de o fazer, queria que a minha filha ficasse mais independente, especialmente porque eu iria voltar para o trabalho em breve. Desde que comecei a introduzir os sólidos, que decidi não dar nada com açúcar e sal. Quando a enfermeira veio lá a casa ver como nós as duas estávamos eu disse lhe que não sabia bem o que introduzir mais. Não queria dar nada de papas de supermercado, nem frutas ou comidas de frasco. Comecei com fruta e legumes crus e a bebé aceitou bem, depois cozidos - e a bebé não gostou tanto. Comecei a ficar preocupada, porque iria começar a trabalhar em breve e a bebé precisava de mais alimento, que não o leite materno. Comprei aveia e fiz papas - ela comia duas colheres pequenas e só. Ou começava com ansia de vómito. Acabei por ceder, encontrei papas de supermercado ou farmácia, sem glúten e açúcar - a bebé também não gostou. A enfermeira deu me um menu com várias refeições e receitas e eu fiquei chocada com as refeições sugeridas. Pelo menos, eu acho que a alimentação deve ser introduzida gradualmente. Em Portugal, temos uma lista de alimentos que devem ser dados ao bebé a cada mês. Aqui, a partir dos seis meses é recomendado que o bebé coma de tudo - pode comer tudo o que nós comemos e desta forma habitua-se a todo o tipo de sabores e texturas. Ora, eu cozinho com imensas especiarias. Comidas picantes. E no geral cozinho todas as comidas com um pouco de sal e não queria, de todo, dar à minha filha as comidas que nós comemos. Não por achar que não sejam saudáveis, porque até são, mas para um bebé que ainda tem como leite a principal fonte de alimento e só recentemente começou os sólidos, não achei que seria bom. Comecei a dar sopa, uma vez por dia e o resto mama. Depois sopa duas vezes por dia e mama. Entretanto batata cozida, frango, peixe, legumes, massa, purés - tudo cozido. Em 30 minutos cozinhava as refeições da semana toda. Embora tivesse leite, não tinha o suficiente para tirar e deixar durante o tempo em que estivesse no trabalho. Comprei um fórmula especial - apenas para ela tomar enquanto estivéssemos separadas. Primeiro estranhou, mas depois aceitou.
Agora a Clara tem nove meses e desde os sete meses e meio que come de tudo. Já começou a comer algumas das nossas refeições se não tiverem sal. Come iogurtes, papas, fruta, legumes, carne, peixe. Come e come bem. A alimentação já não é difícil. Acabou por se habituar a alguns alimentos e come mesmo de tudo. A Clara adora comida e aceitou melhor do que as papas ou comidas raladas.
A batalha, é sempre, cozinhar saudável e se comer da nossa comida, perceber se será bom ou não para ela. O leite materno ainda é importante, especialmente durante a noite. É mais o conforto e a ligação que tem comigo, que propriamente fonte de alimento.
Acabei por ter em conta o que me foi dito aqui pela enfermeira em Inglaterra e pelo que é recomendado em Portugal, depois seguindo o instinto maternal do que se deve dar, como e quando. Afinal, não é assim tão complicado.
Durante a minha licença de maternidade, fui algumas vezes ao escritório para reuniões e estive sempre em contacto, ora via e-mail, ora via telefone. Gosto do que faço e nunca consigo desligar completamente, a vida pessoal da profissional. Na área em que trabalho, dificilmente se consegue. No entanto, até me desprendi bastante, durante estes meses dedicados à maternidade. Hoje, voltei ao trabalho. Sábado. Sim, um sábado. Foi a forma que encontrei de não ficar tão ansiosa e preocupada. Hoje, das 9h às 15h, estou a trabalhar. A bebé ficou com o pai e com os avós. São as pessoas em quem mais confio e a bebé adora passar tempo com eles. Enquanto eles passeiam, eu fico descansada e quase nem sinto que a deixei para vir trabalhar.
Sinto falta do trabalho e sei que sentirei falta de estar com a minha filha todo o dia - todos os dias, mas sinto mesmo a necessidade de ter outras responsabilidades. Acho que voltar para o trabalho, gradualmente, vai-nos fazer bem às duas. Tenho a possibilidade de voltar em part-time e de ir ligando durante o trabalho para saber como ela está. Foram sete meses exclusivamente dedicados à minha filha, foi maravilhoso, mas por muito que ame a maternidade, quero mesmo fazer outras coisas. Espero apenas, que esta transição seja tranquila para ambas.
Com um sorriso, de coração apertado, com saudades a surgirem e esperança no futuro, aqui estou eu. E o amor. Sempre em mim por ela e nela.
Domingo. Todos os domingos, são com a família - de sangue ou de coração. Ontem, enquanto todos conversávamos sobre a terna aventura do parto e parentalidade, dei por mim a pensar que mesmo com todas as coisas menos boas - que são muito poucas, não há nada melhor. Nada me traz mais felicidade do que acompanhar as conquistas da minha filha, do que adormecer e acordar ao lado do meu melhor amigo e maior amor. Os meus maiores sonhos já se concretizaram. Todos. Agora tenho desejos. Coisas que ainda quero fazer, lugares que quero visitar. Mas nada, nada me preenche mais do que ser mãe.
Tem sido uma jornada maravilhosa. A fotógrafa mais querida e talentosa, captou um dos momentos mais felizes da nossa vida e mal posso esperar para a próxima sessão em família, agora com a bebé nos braços.
Já disse que a felicidade mora aqui, mas mora, porque já a tínhamos dentro de nós.
Desejo mais domingos, mais família, mais amor. Sempre.
[do blog da Jess - a fotógrafa escolhida para nos fotografar]
Este é o meu relato honesto e detalhado do meu primeiro parto.
Quase no final da gravidez, escrevi sobre os planos que tínhamos, nessa altura não fazia a mínima ideia de que iria ficar 38 horas em trabalho de parto. Que a dada altura teria de ir para o hospital, embora estivesse preparada para eventual situação. Por muito que imaginasse a dor das contrações, não sabia quão dolorosas e desesperantes seriam. Não sabia qual era a sensação de as águas rebentarem e de sentir a bebé sair dentro de mim. Que as noites sem dormir, ou a dormir mesmo muito pouco, seriam mais que muitas. Por muito que tenha lido, ouvido e pesquisado, não sabia como seria puxar, respirar, aguentar tanta dor durante e depois do parto. Que amamentar poderia causar uma dor quase insuportável.Pensei, imaginei, mas na realidade quase tudo foi mais doloroso do que eu imaginei. Bem mais. Da mesma forma que, imaginei que seria um mar de emoções fortes, que nenhuma experiência na vida se igualaria à emoção de ver e sentir um bebé sair de dentro de mim e que o amor, esse amor pela criança que nos põem nos braços é inexplicável e avassalador. Que a vida iria mudar para sempre. Pensei, imaginei, mas na realidade tudo isso foi ainda mais intenso, mais maravilhoso do que eu imaginei. Bem mais. E sem dúvida, uma experiência, sensação, emoção e amor inigualáveis. Muito difícil de explicar e que sem dúvida alguma, só quem passa por isto sabe o que é. Cada mulher e cada parto são diferentes, sim, mas independente da duração, da dor e do tipo do parto, duvido que haja mais alguma coisa nesta vida que seja tão intensa, arrebatadora e recompensadora como o parto e o sentimento de se ser mãe e pai. Rolhão mucoso Na quinta feira, dia 5 de Novembro, vou à casa de banho e apercebo-me que expulsei o rolhão mucoso. Sendo que o rolhão sai no final da gravidez, e eu estava com 39 semanas e mais alguns dias, fiquei super feliz. Como qualquer mulher grávida no final da gravidez, já só queria que o bebé nascesse. Chamei pelo meu marido, contei-lhe e ficamos super ansiosos e atentos. Falei com uma amiga que tinha tido bebé na semana anterior e ela disse-me para me preparar que iria entrar em trabalho de parto, muito em breve. Andei bem todo o dia. Há noite, tive insónias e já só adormeci às 05:30am. Trabalho de parto Sexta feira, dia 6, dormi cerca de duas horas. Estava muito cansada, acordei por volta das 07:30am e com dores de barriga. Uma dor semelhante às dores menstruais. Não fazia a mínima ideia que já eram contrações. A dor ia e vinha. Comecei a ter dores no fundo das contas, juntamente com a dor de barriga. Liguei à minha amiga e disse-lhe que estava com estas dores. "Ana isso são as contrações a começar!" Eu fiquei super feliz e a pensar - mas isto é que são contrações? Ainda que piorem, não é tão doloroso como eu pensava. A minha doula chegou passado uma hora e esteve sempre comigo. Assim como o meu marido. As contrações estavam com 15 minutos de diferença e duravam menos de um minuto. A minha Doula sugeriu andar para estimular e acelerar as contrações. Saimos então de casa. Fomos para o centro da cidade, fui parando a cada contração. As dores foram ficando mais intensas. Fomos comprar algumas coisas que nos faltavam, almoçamos no MacDonalds (para satisfazer os últimos desejos) e eu sempre com contrações. Algumas pessoas aperceberam-se e até perguntaram se precisávamos de ajuda. Voltamos para casa e as contrações ora eram a cada dois minutos como eram a cada dez minutos. Muito irregulares. E, foi assim o dia todo. Nessa noite, do dia 6, as contrações foram muito irregulares e a partir das cinco da manhã ficaram mais regulares e dolorosas. Entrei na piscina que tínhamos preparado cá em casa. A água quente ajudou inicialmente. As técnicas que a minha Doula usou para me ajudar a concentrar e para aliviar a dor foram óptimas. O carinho e palavras do meu marido foram fundamentais.
Sábado, dia 7 de Novembro. A minha Doula adormeceu, assim como o meu marido durante algumas horas. Eu sempre acordada sempre com contrações. Durante a manhã, usei a bola de pilates, usei a TENS Machine - que ajudou bastante a aliviar as dores nas costas. As contrações continuavam com pouco espaço entre si, mas eu sentia que ainda faltava imenso tempo para a minha bebé sair. Eu estive sempre calma, com imensas dores, mas sempre serena e a respirar fundo. Estivemos sempre a conversar, a ouvir música e tentei sempre me destrair. Às 13:20h estava eu a pintar as minhas unhas, (sim, cheia de dores e a pintar as unhas, mas eu queria me concentrar noutras coisas) as águas rebentaram. Depois de as águas rebentarem as contrações eram seguidas, minuto após minuto, com poucos segundos entre elas. A dor aumentou significativamente. Eu estava exausta e já estava com dores há bastantes horas, mas nesta altura passou para outro nível. A parteira chegou por volta das 14:30h. Eu estava na piscina e a chorar imenso, agarrada ao meu marido e a dizer que não ia conseguir. A dor era insuportável. Se tinha estado calma nas últimas 30 horas, agora estava a chorar e só pedia ajuda. A parteira só elogiou o facto de eu ter estado em casa tantas horas, em contrações e que estava admirada com a minha serenidade. Mediu-me a dilatação e disse-me que estava com 3cm. Eu, embora desconfiasse que estava mesmo muito pouco dilatada, entrei em desespero. Só chorava e pedia desculpa por isso. Por ter aguentado tantas horas e por naquele momento não estar a aguentar mais. Recebi muitas palavras de conforto e a minha Doula usou novas técnicas de relaxamento. Eu estava a perder forças e não parava de chorar. Abracei o meu marido e disse-lhe que as dores eram tantas que eu achava que ia morrer. Ele disse-me que estava orgulhoso e que tudo o que estava a sentir era normal. Eu continuei abraçada e as contrações eram tão fortes e a dor era tanta que encostada ao meu marido, fiz uma oração - pedi a Deus que me ajudasse. Que eu pudesse ter a minha filha em segurança e que eu pudesse aguentar tudo o que viesse a seguir. Senti logo em seguida que deveria ir para o hospital. Disse a todos que queria ir, que sentia que era o certo e que queria alívio para as dores. Pedi desculpa, porque estava cansada e que não aguentava mais aquele sofrimento e que não os queria decepcionar, mas que eu não estava a aguentar mais. A minha Doula e parteira ficaram admiradas, pois, achavam que eu estava a aguentar muito bem. Eu não sou pessoa de gritar e de entrar em pânico e talvez por isso, ficaram admiradas com a minha decisão. Mas não era por eu não estar a gritar que não estava realmente desesperada. A ambulância demorou menos de 10 minutos a chegar. Eu sempre a chorar abraçada ao meu marido. As contrações não paravam, eram mesmo dolorosas e eu sentia que ainda faltava imenso para ver a minha bebé. Na ambulância, peço desculpa pelo trabalho que lhes estava a dar, mas que estava a sofrer muito. O paramédico, que me acompanhou, sorria e começou a fazer perguntas. Eu já não conseguia falar mais, então ele começou a falar com o meu marido. Deu-me o Gás e Ar, que ajuda a relaxar e ajuda a aliviar a dor - eu sempre achei que não iria fazer diferença, mas na verdade ajudou, deixou-me mais desorientada do que aliviou a dor, mas sim, ajudou. Chegamos ao hospital e eu estava mesmo desorientada, o meu raciocínio estava lento. Continuava a pedir desculpa e chorava. Pedia que me parassem a dor. As parteiras/enfermeiras sorriam e diziam que não era preciso pedir desculpa. Eu continuava, abraçava-me a elas e perguntava se estava a ser mal educada e se estava a insistir muito, mas que por favor me dessem algo para a dor. Todas me olhavam, sorriam e davam-me os parabéns por estar tão calma e estar a aguentar contrações há tantas horas, e eu só chorava ainda mais e pensava que não estava calma coisa nenhuma. Pedi epidural. Aconselharam-me a continuar com o Gás e o Ar e que estava a fazer tudo bem. Mas eu insisti. Achei que o Gás e o Ar me estavam a por estúpida, não conseguia falar direito, nem concentrar-me. Mediram-me a dilatação e estava com quase 7cm. O anestesista chegou passados alguns minutos, mas que pareceram horas. Disse-me que a bebé iria nascer a qualquer momento devido à dilatação que eu já tinha e que também por isso a epidural poderia já não fazer efeito. Eu continuava, a chorar a pedir desculpa, mas que queria mesmo alívio da dor. Levei epidural às 16:30h e aliviou bastante. Acalmei, parei de chorar, voltei a sorrir e concentrei-me depois para ter a minha filha. Tive uma sala de parto enorme, o meu marido e Doula ao meu lado, uma equipa fantástica. Ao lado da minha cama tinha uma janela enorme. A equipa, super atenciosa. Traziam-me tudo o que queria para comer e beber. Sempre a elogiarem o facto de ter estado tantas horas em trabalho de parto e sempre atentas a mim e à bebé ainda na barriga. As dores nas costas pararam completamente e as dores na barriga e corpo eram mínimas. Voltei à serenidade que queria para receber a minha bebé. Senti a bebé a descer cada vez mais e a necessidade de puxar. Coincidência, havia fogo de artifício, exatamente quando comecei a puxar a minha bebé. Todos olhamos lá para fora e não poderia haver melhor timing para o fogo de todas as cores invadir o céu que tão bem se via da janela, para recebermos e festejarmos o nascimento da nossa primeira filha. A Clara nasceu às 20:26h do dia 7 de Novembro. Com 3,100kg e 50cm. Serena. Pequenina. Saudável. Linda. O parto começou em casa e acabou no hospital. Foi demorado. Mas eu não mudava nada. Foi assim que aconteceu e era assim que tinha de ser. Não me arrependo das decisões que tomei. O parto correu bem. Honestamente, acho que não poderia ter sido melhor. Não precisei levar pontos. Levantei-me logo em seguida. Passei a noite na maternidade e domingo à hora de almoço vim para casa. Tive uma boa e rápida recuperação. Posso dizer que é sem dúvida alguma o melhor do mundo. Foi a experiência mais dolorosa e intensa, mas foi a mais maravilhosa e emocionante que vivi. A Clara tem 5 meses. É a bebé mais calma e querida de sempre. -Lace-it-girl
Nada é mais importante do que a nossa família. A família que construímos. A família que escolhemos. A família de sangue e a família do coração. Tenho a melhor do mundo. A minha filha, ainda que tão pequenina, já me ensina que não devo perder tempo com coisas insignificantes. Que o amor pode sempre crescer mais. Que a saúde é das coisas mais importantes nesta vida. Que devemos acordar e adormecer com o coração grato. Que devemos aproveitar cada momento, porque o tempo é precioso. Que perdoar não é uma opção, mas um dever.
Nas pequenas conquistas da minha filha e até quando a observo a dormir, sinto tudo isso. Sinto uma paz e alegria indescritíveis. Quero aproveitar cada passo, cada momento. A vida. Desvalorizar o que de facto não tem valor. Valorizar os meus sucessos. Valorizar-me. Porque quando somos positivos e otimistas no presente, abrimos a possibilidade de um futuro positivo e promissor. Devo isso à minha família e a mim mesma, para fazer valer cada momento - agora.
Como dizia Kurt Vonnegut:
“Enjoy the little things in life because one day you`ll look back and realize they were the big things.”
A cada dia que passa, quero-te mais. Mais teu, mais meu. Quero-te bem. És quem eu quis, quero agora e quero para sempre. Quero-te inteiro. Amo-te por inteiro. Quero a tua sinceridade bruta, as tuas piadas, a tua voz. Quero o teu sorriso, o teu olhar, a tua barba. Quero o teu beijo, o teu abraço, o teu mimo. O teu amor.
2015 foi um ano sereno e de emoções fortes. Foi m-a-r-a-v-i-l-h-o-s-o. Fui promovida no trabalho no dia 1 de Janeiro. Logo de seguida, festejei um ano de união com o grande amor da minha vida, e no fim do ano um ano de casados. Dentro destas duas datas, engravidei pela primeira vez e tive a minha filha. Em 2015 descobri novas emoções e sensações. Um amor e felicidade como nunca tinha sentido antes. Senti-me muito amada e apreciada. Este ano trouxe-me certezas. Como a certeza de que tudo aquilo que sempre idealizei para a minha vida, é possível. E, é agora real. Que a pessoa com que casei é o meu melhor amigo e a pessoa que eu mais amo. Ele é a pessoa que sempre quis e soube que existia. O meu marido é perfeito para mim e sou-lhe grata por me amar tal como sou. Nunca fomos dormir chateados, nem nunca ficamos chateados um com o outro por mais de alguns minutos, e por isto sou muito grata. Pela paciência, compreensão. Pelo amor constante. Se eu já o amava, agora amo muito mais. Não consigo imaginar como teria sido a minha gravidez e muito menos o parto sem ele sempre ao meu lado. Na verdade, já não me imagino sem ele. A nossa filha, só veio aumentar o nosso amor e preencher ainda mais a nossa vida de alegria.
Aprendi tanto este ano. Tanto. Foram muito poucas as pedras no caminho, mas só aprendi e cresci com elas.
2015 será lembrado como um ano maravilhoso e muito muito especial. O ano que mudou a minha vida. Para sempre.
Foram 39 semanas e 6 dias de gravidez. 38 horas em trabalho de parto. Nem tudo correu como planeado. Sorri. Chorei. Desesperei. Foi doloroso. Lindo. Maravilhoso. Valeu tudo, muito a pena.
Ser mãe é tão maravilhoso e cansativo como eu imaginei. O cansaço é esquecido a cada momento de silêncio, a cada sorriso, ao ouvir os sons que faz quando está a mamar... O cansaço é esquecido ou muito pouco, sempre que observo a minha filha. Mesmo quando chora. Mesmo quando eu choro. Mesmo quando não durmo noites seguidas. A velha frase "vale tudo a pena" é verdadeira.
A primeira semana foi tranquila para a bebé e dolorosa para mim. Na segunda noite depois do parto, enquanto a minha bebé estava serena a mamar, as lágrimas escorriam-me pela cara e eu lutava contra pensamentos de que não era uma boa mãe, pois não devia chorar. E sentia-me mal, por chorar enquanto alimentava a minha bebé. Tentava conter as lágrimas mas era difícil. Naquela noite, não dormi. Na verdade, já não dormia há três noites. Mas naquela noite em particular, estava exausta e com imensas dores. Pensei em desistir de dar de mamar, e, nesse momento olhei a minha filha bem de perto, senti todo o amor que tenho por ela, fui tomar um duche e mesmo cheia de dores e com as mamas já a sangrar, senti que iria conseguir. A serenidade da minha bebé e todo o amor que sentia motivaram-me a ser um pouco mais paciente e persistente. Depois veio a manhã. Tudo fica mais leve e mais fácil durante o dia. As lágrimas pararam e não voltaram a cair. Às vezes ameaçam sair dos olhos, mas eu mantenha-as lá. Os dias seguintes foram de prazer e de dor. Dar de mamar é maravilhoso, ainda que bastante doloroso nos primeiros dias.
A segunda semana foi tranquila para nós as duas. Doeu, sim. Mas menos. E eu continuei determinada a dar de mamar. Não seguimos um horário ou rotina à risca. Amamento a minha filha sempre que ela quer, sempre que eu acho que devo.
Esta terceira semana, a menina que não chorava, a menina calma e serena, que só chorou quando nasceu, decidiu testar a capacidade dela de chorar. Decidiu mostrar-nos que afinal sabe chorar. E, sempre há mesma hora. Eu fico preocupada. Se tem barriga cheia, fralda limpa e todo o mimo do mundo, porque é que chora? Terá dores? Cólicas? Está com frio ou com calor? A minha bebé não chora sem parar ou de boca bem aberta. Chora aos poucos. É um choro leve mas parece triste. Assim como o meu. Vai e volta. E este meu recente coração de mãe fica sempre preocupado. O choro é sempre há mesma hora. Mas não me habituo a ele. Não gosto dele. Mesmo leve e curto. E, este vai e vem de choro demora uma ou duas horas. O choro faz parte, eu sei. Mas custa-me.
Existem outras coisas, que me trazem o coração para fora do peito. Quando se engasga, é uma delas. Isto de ser mãe é maravilhoso. Mas isto de ser mãe, é também andar com o coração a sair do peito a toda a hora. Seja pelo imenso amor ou pela preocupação.
39(+3) semanas de um amor maravilhoso. Muita gente me pergunta se estou nervosa, ansiosa, com medo ou a sofrer nestes últimos dias de gravidez. Não. Não estou mesmo. Sinto-me tranquila. Adoro esta fase, adoro sentir a bebé mexer dentro de mim. Sentir o coração dela a bater e até quando tem soluços. Sei que estará aqui fora em breve. Pode acontecer a qualquer dia, a qualquer momento e eu estou muito feliz por saber que estou muito perto de a conhecer. Medo? Nem por isso. Obviamente que quero muito que tudo corra bem, especialmente porque o parto será em casa. A maioria da família e amigos estão preocupados com isso. Nós estamos calmos e esperançosos de que tudo irá correr bem. Cheios de amor, com a certeza de que este amor será ainda maior quando virmos e segurarmos na nossa bebé. Crescerá com certeza, a cada dia, como já cresce. Temos tudo pronto, muito amor e calma para receber a nossa filha.
Estou grávida pela primeira vez e serei mãe daqui a poucas semanas ou dias, pois a partir desta semana, pode nascer a qualquer momento. A minha bebé está a crescer saudável e é bem activa. Eu também estou bem, embora a minha anemia tenha decidido voltar e em grande. O que me faz sentir ainda mais cansada e sonolenta, mas fora a anemia, que está a ser combatida com grande dose de ferro diário, tudo o resto está bem.
Gravidez e Plano de parto em Inglaterra
Eu sempre me imaginei grávida, só nunca imaginei que isso aconteceria em Inglaterra. O sistema de saúde aqui é bem diferente do sistema de saúde em Portugal. Quando descobri que estava grávida fiquei um pouco preocupada por saber que iria ser acompanhada aqui, pois sei que tudo funciona de forma diferente. Pensei até, ser acompanhada aqui mas ter o parto em Portugal, mas depois das primeiras consultas, fiquei mais serena e até passei a gostar mais do acompanhamento na gravidez e das opções de parto que oferecem aqui.
Depois dos vários testes de gravidez de farmácia, liguei para o centro de saúde e informei que estava grávida. Atribuíram-me uma Midwife (parteira-enfermeira), que acompanha a mulher grávida durante a gravidez, parto e pós-parto. Marcaram-me a consulta para um mês depois e eu fiquei assustada. Grávida pela primeira vez e ter de esperar um mês para conhecer a pessoa que me iria esclarecer todas as dúvidas e me acompanhar, foi difícil. Chegado o dia da consulta, a minha Midwife foi extremamente atenciosa e explicou-me todo o processo. Nesta consulta, eu e o meu marido respondemos a questões de saúde - histórico familiar. Foi me dado um livrete A4, onde a Midwife escreveu o nosso histórico de saúde. Mediu-me a tensão e pesou-me. Apenas isto. Depois tive consultas novamente com ela a cada mês e meio e, nestas consultas falamos sobre como me sinto, mede-se a tensão, faz-se análises à urina e ao sangue. Conforme a gravidez vai progredindo, é explicado os benefícios de um parto natural e da importância da amamentação. São explicadas as opções de parto e medicação para alívio da dor. Cesariana só mesmo em último recurso. 80% dos partos em Uk são naturais. Caso a mãe tenha algum problema de saúde, ou o bebé apresente algum problema, a gravidez é acompanhada por um Obstetra(no hospital) e não pela Midwife(no centro de saúde). A partir do terceiro trimestre as consultas passam a ser mais frequentes, de três em três semanas ou de duas em duas. Dependendo da disponibilidade de ambas. Claro que se estivermos preocupadas ou se algo acontecer podemos ligar e ter consulta mais cedo. Temos acesso ao número de telefone da Midwife e podemos ligar quando necessário, para esclarecer dúvidas ou pedir conselhos. A minha Midwife até me manda mensagens a lembrar-me de consultas e ecografias.
O sistema nacional de saúde (SNS) oferece três ecografias. Embora eu tenha tido quatro, porque a minha Midwife quis ter a certeza de que a bebé tinha o tamanho e peso certo, uma vez que na medição da minha barriga, para se saber o tamanho do útero, eu estava abaixo do tamanho esperado. Quarta ecografia feita, tudo dentro do normal e foi mais uma oportunidade de ver a bebé.
O SNS também oferece aulas ante-natais, para se falar do parto, amamentação e os primeiros dias com um bebé. É também uma oportunidade para conhecer outras mães e trocarem-se experiências.
Recebemos um cartão "maternity exemption" que isenta as mães de pagar farmácia e dentista durante toda a gravidez e até que o bebé complete um ano de idade. Durante toda a gravidez, se necessitarmos de um fisioterapeuta, atendimento psicológico ou outro especialista, é só ligar para o número do especialista que necessitamos e marcar consulta, que é também gratuita. Todos estes contactos e informações estão no nosso livrete de gravidez.
A maternidade do hospital é espectacular. Podemos também marcar uma visita guiada para conhecer tanto a ala das midwifes como a ala de obstetrícia. As salas estão equipadas com camas, cadeiras/sofás e piscina. É permitido por música e ajustar a luz do quarto conforme queremos. Claro que algumas regras e condições variam de cidade para cidade. Mas regra geral é assim.
Para além de todas as opções que o hospital oferece para se ter um parto o mais humanizado possível, o SNS não só assiste como apoia o parto em casa. Inicialmente, como esta será a minha primeira vez, pensei em ter no hospital e na água, depois os seguintes filhos em casa. Conforme a gravidez foi progredindo, fui vendo vários vídeos e conhecendo várias histórias de partos assistidos em casa e muitos deles também primeiro parto. Decidimos então, que o meu parto será em casa. Lemos o livro sobre Home Birth, dado pela Midwife e ficamos entusiasmados com a ideia. Entretanto quando a minha anemia apareceu em grande, eu comecei a desitir da ideia do parto em casa. Aliás, se a hemoglobina estiver abaixo de 10.5 a midwife não nos "deixa" ter em casa. E eu estou bem abaixo do valor aceitável para poder fazer. O meu marido gostaria mesmo que fosse em casa e a minha Midwife tem apoiado imenso e tem tentado convencer-me de que ainda é possivel. Decidimos então esperar pelas próximas análises e rever os valores. Entretanto, a Midwife veio cá a casa fazer o House Birth checklist, para ver se temos as condições necessárias e temos. Fomos aconselhados de tudo o que temos de ter e o que fazer quando eu entrar em trabalho de parto. Como eu quero ter parto na água, esta semana iremos montar a piscina, no quarto recomendado, toalhas e tudo o resto preparado, pois a partir desta semana, poderá acontecer a qualquer momento. Quando entrar em trabalho de parto, terei o meu marido e uma amiga doula comigo. Duas midwifes virão para o parto e caso haja alguma complicação, serei transferida para o hospital. Caso tudo corra bem, ficarei sempre no conforto da minha casa.
Tudo pleaneado, tudo a ser preparado. No entanto, nem sempre as coisas ocorrem como planeado. No final desta semana, saberemos o resultado das análises e espero mesmo que os resultados sejam bons de forma a mantermos este plano. Caso não possa ser em casa, como gostaríamos, sei que o hospital terá também um bom ambiente para nos receber. O importante, é que a transição da bebé entre o útero e o mundo exterior seja o mais natural e menos stressante possível.
O tempo passa bem rápido. Tenho tantas memórias deliciosas deste meu irmão. Tantas. Foi tão bom vê-lo crescer de perto e poder participar na educação dele. Lamento não ter estado mais presente nos últimos anos. Lamento mesmo. Mas vivemos juntos novamente e eu tenho dado o meu melhor. Está um pré adolescente lindo e resmungão. O meu maninho mais novo que era o meu bebé, será em breve o tio da minha bebé. Mal posso esperar para os ver juntos. Sei que ainda novo, será um óptimo tio. Já me habituei à ideia de que o meu maninho cresceu e já não é o meu bebé. Na verdade, já me controlo publicamente, mas em casa, por vezes, ainda o trato como tal. Ele já não acha piada. Mas no meu coração será sempre o bebé da mana. Vai-se lá fazer o quê.
Chegar ao último trimestre é uma conquista e alegria sem explicação. Adormeço e acordo, imensamente grata, pela oportunidade que eu tenho de estar grávida, de ter um marido amoroso e pela enorme benção de vir a ser mãe. Como já disse, este último trimestre tem sido o melhor para mim. Sinto a minha bebé a mexer o tempo todo. É maravilhoso. Cada vez me sinto mais cansada e pesada, mas não me importo nada.
O amor só cresce. É inacreditável como cresce. Entre nós e pela nossa bebé que ainda nem conhecemos.
Sempre namoramos muito. Sempre. Ultimamente é só mimo, pois temos noção de que a bebé estará aqui em breve e todas as atenções serão para ela. Temos então, investido ainda mais no tempo a dois.
Nascida e criada na Povóa de Varzim. Tenho um orgulho imenso e adoro ser do norte, mas o maior orgulho é mesmo em ser Portuguesa. Neste momento, vivo em Inglaterra e estou a adorar.
Sou uma esposa e mãe muito feliz. Protectora e dedicada. Acho que o melhor da vida, é a família, a que temos e a que construímos. Optimista por natureza, acredito que esta vida tem mais de bom do que de mau, e que se formos bons a vida retribui, mais cedo ou mais tarde. Tenho fé, muita. Acredito que o melhor ainda está para vir. Sou muito abençoada - mais do que mereço. Tenho um coração grato, sempre, muito grato.
Aqui no blogue, tanto registo os eventos mais importantes da minha vida, como dou a minha opinião sobre as coisas mais insignificantes. O meu objectivo é ser sempre honesta no que escrevo, nas minhas convicções e nas minhas dúvidas. Este blogue é para os meus filhos lerem quando crescerem.
Sou completamente apaixonada pelo meu marido, pela minha filha e pelo bebé que está a caminho. Amo a vida. Nasci para ser feliz.